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Wednesday, June 02, 2010

Flor do valão


A Flor e A Náusea (Carlos Drummond de Andrade)
Preso à minha classe e a algumas roupas,
vou de branco pela rua cizenta.
Melancolias, mercadorias, espreitam-me.
Devo seguir até o enjôo?
Posso, sem armas, revoltar-me?

Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.
O tempo pobre, o poeta pobre
fundem-se no mesmo impasse.

Em vão me tento explicar, os muros são surdos.
Sob a  pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.
As coisas. Que triste são as coisas, consideradas em ênfase.

Vomitar este tédio sobre a cidade.
Quarenta anos e nenhum problema
resolvido, sequer colocado.
Nenhuma carta escrita nem recebida.
Todos os homens voltam pra casa.
Estão menos livres mas levam jornais
e soletram o mundo, sabendo que o perdem.

Crimes da terra, como perdoá-los?
Tomei parte em muitos, outros escondi.
Alguns achei belos, foram publicados.
Crimes suaves, que ajudam a viver.
Ração diária de erro, distribuída em casa.
Os ferozes padeiros do mal.
Os ferozes leiteiros do mal.

Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.
Ao menino de 1918 chamavam anarquista.
Porém meu ódio é o melhor de mim.
Com ele me salvo
e dou a poucos uma esperança mínima.

Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.

Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.

Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens macias avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.
É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.

Saturday, April 17, 2010

Feel - Robbie Williams

Tradução "vagaba", feita a toque de caixa, pra ilustrar meu humor nos últimos dias:

Venha segurar minha mão; eu quero contatar os vivos
Não sei se entendo bem este papel que me foi dado

Eu me sento e converso com Deus, e Ele ri dos meus planos
Minha cabeça fala uma língua que eu não entendo

Eu só quero sentir amor verdadeiro, sentir o local onde vivo
Porque eu tenho muita vida fluindo nas minhas veias, sendo desperdiçada

Eu não quero morrer, mas também não gosto muito de estar vivo
Antes de me apaixonar já me preparo para deixá-la
Eu morro de medo; é por isso que vivo fugindo
Antes de ter chegado eu me vejo voltando

Eu só quero sentir amor verdadeiro, sentir o local onde vivo
Porque eu tenho muita vida fluindo nas minhas veias e sendo desperdiçada
E eu preciso sentir o amor verdadeiro, para toda a eternidade
Eu não consigo me saciar.

Eu só quero sentir amor verdadeiro, sentir o local onde vivo
Eu tenho muito amor fluindo nas minhas veias pra ficar desperdiçando

Preciso sentir o amor verdadeiro para toda a eternidade
Há um buraco na minha alma, dá para vê-lo no meu rosto, não dá pra disfarçar

Venha segurar minha mão, eu quero contatar os vivos
Não sei se entendo bem este papel que me foi dado
Não sei se entendo bem...

Thursday, February 11, 2010

sobre o semanário

Era uma velha ideia que eu tinha, o de organizar mais o blog, até pra ficar mais fácil (e mais interessante) pra quem vem aqui sem ser através do google. A questão era: organizar de que forma? Tentei as tags, que ajudaram, mas não muito. Seria preciso tantas tags quantos posts, devido a heterogeneidade que reina neste bloguito. Fiz algumas tags gerais, que melhoraram o aspecto dessa "coisa". O problema é quando surgem ideias novas, que não se encaixam em nenhuma tag: PIMBA! Mais uma tag criada, que talvez nem terá repetições. Enfim, que farei? A partir de agora, vou separar os posts por duas tags, hierarquizadas com mais algumas. Uma para posts "legíveis" (crônicas, críticas, traduções de textos interessantes, entre outros). O outro, obviamente, são os posts mais pessoais, aqueles não tão relevantes para pessoas que não me conhecem pessoalmente ou não estão mesmo a fim de saber se estou de TPM ou com nome sujo no SPC. Será a parte diário do blog. Mas a marca dele será sempre a variedade, não tenho como, depois de 10 anos quase, mudar a essência do NUTS. A guinada veio em forma de outro blog. Leiam, por falar nisso. E deixem comentários, sempre recebo visitas que são mais sienciosas que o meu gato...
Inté.
PS: Ah! Esqueci! O nome das tags será "semanário" (daí o título do post) e "imprevistos" (na falta de nome melhor).

Thursday, December 11, 2008

Back to the front!!!!

Ei, pessoas!! Estou de volta!!! Espero que em definitivo (sem parafrasear Galvao BuECA...). Mudando, sempre, tanto o template (este, apesar de amado, é velho e logo vai pro vinagre de novo) quanto a temática do blog. Bem, nem tanto, porque eu já havia mudado um pouco o foco, tirado do meu umbigo (que não é lá essas coisas), pra temas diversos, textos inéditos, enfim. E é isso que vai ser, mais literatura, ficção, e gotas de pedantismo e notícias recentes à la Aline. Não sou "escritora de blogs", pra usar um termo bastante difundido agora na rede. Sou escritora, ponto. E se meus textos não estão bons ainda, me consolo com Machado. Até hoje não consegui ler "A mão e a luva", romancezinho meio "hn" do Juca (meu amigão, tá? deixa!). Se até ele no início escrevia coisas fracas, posso me conformar. Esperem só quando eu estiver na minha fase "Quincas Borba"...

Friday, December 01, 2006

"Practical magic"

Once upon a time there were two sisters, so similar yet so different. One was a romantic, dreamer girl who could not believe her own will, and the other was a gorgeous, smart girl, who deep down wished she were just like her sister, so talented and powerful.
One day the sisters found out they were cursed. They could never love a man, or else he might die. The romantic sister cried her eyes out, because she thought love would come for her, and she would be happier than her mother.The other one chose to live her life, discover a different path for her in the world. The first one, however, sat down and made an impossible man wishlist. That way she could never love and so no one would die.
The girls’ tutors, however, took pity on that lovely girl and conjured her dream lover. She was delighted to find out she really could love. They had kids, and she took all the precautions so that her love could live to love her for a long time. But suddenly, she saw a sign. She watched him die. That day on, she stopped believing in true love. Or at least she thought she did.

Meanwhile, the smart sister keeps fooling around. Until she accidentaly kills one of her boyfriends, who used to treat her bad. She involves her nice sister into it, and they have to hide the body.
They have a lot of trouble with that. Even a detective is sent to investigate the man’s disappearance, but he falls for the nice sister, who is now against love (and its consequences). Things are getting really strange, when the detective has a sense the sisters are not innocent. He leaves the town to think about that.
The romantic sister suffers when the detective goes away, but decides it was for good. Then she realises he has all the items of her wishlist, and he was not cursed! She got so happy but did not know if there would be a chance for them...how her past would influence her future...one day she got a letter from the police, saying that the sisters are not involved with any crime. The smart sister encourages the nice sister to live her love...and so she does.
(impressions by Bianca Miglioli - the Portuguese version of this text can be found in the fotolog)

Tuesday, November 21, 2006

Boa semana pra todos!!

O Escultor
Charles Chaplin

Hoje levantei cedo pensando
no que tenho a fazer antes
que o relógio marque meia-noite.
É minha função escolher
que tipo de dia vou ter hoje.
Posso reclamar porque está chovendo
ou agradecer às águas por lavarem a poluição.
Posso ficar triste por não ter dinheiro
ou me sentir encorajado para administrar
minhas finanças, evitando desperdício.
Posso reclamar sobre minha saúde
ou dar graças por estar vivo.
Posso me queixar dos meus pais
por não terem me dado tudo o que eu queria
ou posso ser grato por ter nascido.
Posso reclamar por ter que ir trabalhar
ou agradecer por ter trabalho.
Posso sentir tédio com as tarefas de casa
ou agradecer a Deus por ter um teto para morar.
Posso lamentar decepções com amigos
ou me entusiasmar com a possibilidade
de fazer novas amizades.
Se as coisas não saíram como planejei,
posso ficar feliz por ter hoje para recomeçar.
O dia está na minha frente esperando
para ser o que eu quiser.
E aqui estou eu, o escultor que pode dar forma.
Tudo depende só de mim.

Thursday, November 16, 2006

Só sei

"Luz e sentido e palavra
é o que o coração não pensa..."
legião urbana
Hoje acordei inspirada, mas não necessariamente para escrever. Acordei pensando em viver. Acordei preparada para o que desse e viesse. Acordei desejando o melhor, pensando não em mim, mas em tudo. Querendo que o mundo se visse como eu me vejo, mesmo que não me vissem como eu me vejo, ou como os vejo. Queria que o mundo caísse na real. Um mundo realista, não fatalista ou pessimista. Queria que todos enxergassem suas reais possibilidades...parassem de se preocupar com o que "pode ser" ou "poderia ter sido", ou melhor, parassem de se preocupar, ponto. Sei lá... começassem a viver.
Apesar de "nonsensical", esse discurso é válido, mesmo que não se entenda. Sabe por quê? Porque eu sei o que é o sem sentido. O sem sentido é tudo o que não se pensa. Além disso, como esse blog está oficialmente às moscas, e eu agora, mais do que nunca, não tenho a intenção de mudar isso, passo a escrever para mim mesma, seguindo a velha máxima de que o escritor escreve pensando no seu leitor, no seu alvo, o que atualmente representa a minha própria pessoa, hehe.

Friday, October 06, 2006

Bom fim de semana!!

SILÊNCIO

Pense em alguém que seja poderoso.
Essa pessoa briga e grita como uma galinha, ou olha e silencia, como um lobo?
Lobos não gritam.
Eles têm a aura de força e poder.
Observam em silêncio.
Somente os poderosos, sejam lobos, homens ou mulheres, respondem a um ataque verbal com o silêncio.
Além disso, quem evita dizer tudo o que tem vontade, raramente se arrepende por magoar alguém com palavras ásperas e impensadas.
Exatamente por isso, o primeiro e mais óbvio sinal de poder sobre si mesmo é o silêncio em momentos críticos.
Se você está em silêncio, olhando para o problema, mostra que está pensando, sem tempo para debates fúteis.
Se for uma discussão que já deixou o terreno da razão, quem silencia e continua a trabalhar mostra que já venceu, mesmo quando o outro lado insiste em gritar a sua derrota.
Olhe.
Sorria.
Silencie.
Vá em frente.
Lembre-se de que há momentos de falar e há momentos de silenciar.
Escolha qual desses momentos é o correto, mesmo que tenha que se esforçar para isso.
Por alguma razão, provavelmente cultural, somos treinados para a (falsa) idéia de que somos obrigados a responder a todas as perguntas e reagir a todos os ataques.
Não é verdade !
Você responde somente ao que quer responder e reage somente ao que quer reagir.
Você nem mesmo é obrigado a atender seu telefone pessoal.
Falar é uma escolha, não uma exigência, por mais que assim o pareça.
Você pode escolher o silêncio.
Além disso, você não terá que se arrepender por coisas ditas em momentos impensados, como defendeu Xenocrates, mais de trezentos anos antes de Cristo, ao afirmar: "me arrependo de coisas que disse, mas jamais de meu silêncio".
Responda com o silêncio, quando for necessário.
Use sorrisos, não sorrisos sarcásticos, mas reais.
Use o olhar, use um abraço ou use qualquer outra coisa para não responder em alguns momentos.
Você verá que o silêncio pode ser a mais poderosa das respostas.
E, no momento certo, a mais compreensiva e real delas.
(Aldo Novak)

Friday, September 29, 2006

Encerrando uma semana de cão

A Arte de Ser Feliz
Cecília Meireles
HOUVE um tempo em que a minha janela se abria para um chalé. Na ponta do chalé brilhava um grande ovo de louça azul. Nesse ovo costumava pousar um pombo branco. Ora, nos dias límpidos, quando o céu ficava da mesma cor do ovo de louça, o pombo parecia pousado no ar. Eu era criança, achava essa ilusão maravilhosa e sentia-me completamente feliz.
HOUVE um tempo em que a minha janela dava para um canal. No canal oscilava um barco. Um barco carregado de flores. Para onde iam aquelas flores? Quem as comprava? Em que jarra, em que sala, diante de quem brilhariam, na sua breve existência? E que mãos as tinham criado? E que pessoas iam sorrir de alegria ao recebê- las? Eu não era mais criança, porém a minha alma ficava completamente feliz.
HOUVE um tempo em que minha janela se abria para um terreiro, onde uma vasta mangueira alargava sua copa redonda. À sombra da árvore, numa esteira, passava quase todo o dia sentada uma mulher, cercada de crianças. E contava histórias. Eu não podia ouvir, da altura da janela; e mesmo que a ouvisse, não a entenderia, porque isso foi muito longe, num idioma difícil. Mas as crianças tinham tal expressão no rosto, a às vezes faziam com as mãos arabescos tão compreensíveis, que eu participava do auditório, imaginava os assuntos e suas peripécias e me sentia completamente feliz.
HOUVE um tempo em que a minha janela se abria sobre uma cidade que parecia feita de giz. Perto da janela havia um pequeno jardim seco. Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto. Mas todas as manhãs vinha um pobre homem com um balde e em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas. Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse. E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz.

MAS, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.

Tuesday, August 08, 2006

Vossos filhos (Gibran Khalil Gibran)

"Vossos filhos não são vossos filhos.
São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.
Vêm através de vós, mas não de vós.
E embora vivam convosco, não vos pertencem.

Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos.
Porque eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;
Pois suas almas moram na mansão do amanhã, que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho. Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós,
Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.

Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.
O Arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a Sua força para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe.
Que vosso encurvamento na mão do Arqueiro seja vossa alegria:
Pois assim como Ele ama a flecha que voa, ama também o arco que permanece estável."

Tuesday, November 22, 2005

Ai, e eu aqui estudando...

...pra dar aula nesse sistema falido...

ALUNO NÃO É MÁQUINA - Por Rubem Alves

"Toca a campainha. O aluno tem 45 minutos para pensar Matemática. Toca a campainha de novo, 45 minutos para pensar Geografia, troca o canal, começa a pensar Português. As escolas estão mais para linhas de montagem do que para entidades estimuladoras do conhecimento.
Coloca um aluno na esteira, vem uma professora e parafusa Português, vem outra e parafusa História. E assim vai. Essas instituições, que deveriam servir como estabelecimentos de difusão do saber, acabam se tornando verdadeiras fábricas de pensamentos e idéias seriadas.
O que se faz dentro desse tipo de escola é simplesmente perder tempo, pois a linha de pensamento e raciocínio do ser humano não funciona assim, não em horário predefinido para começar e acabar. As idéias surgem e precisam ser aproveitadas naquele momento e não preteridas até a próxima matéria.
Ainda não se percebeu que esse sistema de ensino não contempla a liberdade e ainda poda a criatividade. O objetivo da educação não é transmitir informações, é ensinar a pensar. Assim, a criança deve ser estimulada a adquirir o conhecimento por conta própria. Aprende-se
fazendo, com as mãos. Na escola, as crianças aprendem nomes, mas não aprendem o que eles
significam. Estudei numa escola do Rio de Janeiro e tive de decorar vários nomes para passar nas provas. Só que o Jardim Botânico ficava a dez quarteirões da escola e o professor nunca nos levou lá. Quer dizer: bastava conhecer os nomes, não interessava se já tínhamos
visto as plantas ou não. O importante hoje é sair desse parâmetro e aprender a descobrir.
Mas há, ainda, um outro tipo de coisa que se ensina e que é completamente diferente; tem a ver com a sensibilidade. Gostar de música, aprender a apreciar a arte, ensinar a gostar da poesia. Esses conceitos não nos ensinam a fazer nada, mas nos ensinam a sentir, e
isso é realmente importante na vida. Somente a sensibilidade nos dá razões para viver, e é justamente isso que falta nos nossos sistemas educacionais.
Apesar de tantas atribuições positivas, as escolas não trabalham com conteúdos que priorizam a sensibilidade porque estão mais preocupadas em formar alunos preparados para o vestibular do que para a vida. E os pais são os maiores apoiadores dessa prática. Eles não estão
interessados na educação dos filhos; estão interessados em que eles estejam preparados para passar no vestibular. O medo da prole tentar um caminho alternativo, longe do praticamente
obrigatório vestibular, é algo que assusta os responsáveis. Estou fazendo uma generalização, é claro que para toda regra existe exceção. Mas diria que a maioria dos pais quer que o aluno aprenda e vá bem no concurso, pois assim eles julgam que a solução está sendo
realizada. Então, o problema, na verdade, é com os pais.
Talvez uma solução para este impasse é a abolição do vestibular. A primeira conseqüência é que as escolas estariam livres para ensinar do jeito que quiserem. E os pais não teriam mais medo do vestibular e analisariam as escolas por outros critérios.
Segunda conseqüência positiva: acabariam os cursinhos pré-vestibular. Os pais de classe média e alta economizariam esse dinheiro fantástico. Terceiro: haverá possibilidades justas para todos; pobres, negros, homossexuais, mulheres. Não mais será preciso esse
negócio ridículo que são as cotas. Essa idéia foi criada só para provocar ódio contra os negros, pois eles estariam roubando vagas de alunos que tiveram notas mais altas do que eles.
Quarto ponto: eliminar-se-á a terrível tensão que acomete os alunos. No Japão, a quantidade de adolescentes que cometem suicídio é uma coisa assombrosa porque eles não agüentam tanta pressão. E aqui no Brasil acontece quase a mesma coisa. Não me refiro aos suicídios,
claro, mas à exagerada cobrança. Muitas brigas entre pais e filhos não aconteceriam, pois aqueles não ficariam atormentando os filhos para que passassem no vestibular. Ou seja, faria uma assepsia total. E o professor, em meio a esse turbilhão, deve se desprender da imagem
de pessoa que sabe uma disciplina e vai ensinar - aliás, detesto a palavra 'disciplina', é militar. O professor deve ser um sedutor. Ele tem de seduzir o alunado para o brinquedo que deve ser o ensinar. É esse sentimento de divertir que provoca a criatividade. Se o aluno é
ruim em Matemática é porque o professor não ensinou que aquilo é uma brincadeira divertida.
Pensei em um currículo que fosse todo construído no entorno mais próximo da criança, que é a casa. A casa tem tudo para alguém aprender. Numa sala, por exemplo, você aprende Geometria: você pode contar quantos ladrilhos ela tem, aprende sobre hidráulica,
Matemática, Biologia, Ótica (porque uma casa tem instalações hidráulicas, elétricas, fungos, bichos, espelhos). Sou contra laboratórios em escolas; a casa é um laboratório muito melhor. Na escola, a professora leva as crianças para um laboratório e mente; diz que é naquele lugar que se faz ciência. É mentira. Ciência se faz no cotidiano. É dessa maneira que se estimula a criança a pensar."

Ai, meu são Piaget, que farei?

Saturday, July 02, 2005

O sonho dos ratos

Não sei se é de autoria dele mesmo, mas segue o texto. Pelo menos é interessantíssimo:
O sonho dos ratos (Rubens Alves)
Era uma vez um bando de ratos que vivia no buraco do assoalho de uma casa velha.
Havia ratos de todos os tipos:
grandes e pequenos, pretos e brancos, velhos e jovens, fortes e fracos, da roça e da cidade.
Mas ninguém ligava para as diferenças, porque todos estavam irmanados em torno de um sonho comum: um queijo enorme, amarelo, cheiroso, bem pertinho dos seus narizes.
Comer o queijo seria a suprema felicidade...
Bem pertinho é modo de dizer. Na verdade, o queijo estava imensamente longe, porque entre ele e os ratos estava um gato... O gato era malvado, tinha dentes afiados e não dormia nunca. Por vezes fingia dormir. Mas bastava que um ratinho mais corajoso se aventurasse para fora do buraco para que o gato desse um pulo e, era uma vez um ratinho...
Os ratos odiavam o gato.
Quanto mais o odiavam mais irmãos se sentiam.
O ódio a um inimigo comum os tornava cúmplices de um mesmo desejo: queriam que o gato morresse ou sonhavam com um cachorro...
Como nada pudessem fazer, reuniram-se para conversar. Faziam discursos, denunciavam o comportamento do gato (não se sabe bem para quem), e chegaram mesmo a escrever livros com a crítica filosófica dos gatos. Diziam que um dia chegaria em que os gatos seriam abolidos e todos seriam iguais. "Quando se estabelecer a ditadura dos ratos", diziam os camundongos, "então todos serão felizes"...
- O queijo é grande o bastante para todos, dizia um.
- Socializaremos o queijo, dizia outro.
Todos batiam palmas e cantavam as mesmas canções.
Era comovente ver tanta fraternidade.
Como seria bonito quando o gato morresse!
Sonhavam.Nos seus sonhos comiam o queijo.E quanto mais o comiam, mais ele crescia.Porque esta é uma das propriedades dos queijos sonhados: não diminuem:
crescem sempre.
E marchavam juntos, rabos entrelaçados, gritando:
" o queijo, já!"...
Sem que ninguém pudesse explicar como, o fato é que, ao acordarem, numa bela manhã, o gato tinha sumido.
O queijo continuava lá, mais belo do que nunca. Bastaria dar uns poucos passos para fora do buraco.
Olharam cuidadosamente ao redor. Aquilo poderia ser um truque do gato. Mas não era. O gato havia desaparecido mesmo. Chegara o dia glorioso, e dos ratos surgiu um brado retumbante de alegria. Todos se lançaram ao queijo, irmanados numa fome comum.
E foi então que a transformação aconteceu.
Bastou a primeira mordida.
Compreenderam , repentinamente, que os queijos de verdade são diferentes dos queijos sonhados. Quando comidos, em vez de crescer, diminuem.
Assim, quanto maior o número dos ratos a comer o queijo, menor o naco para cada um. Os ratos começaram a olhar uns para os outros como se fossem inimigos. Olharam, cada um para a boca dos outros, para ver quanto do queijo haviam comido. E os olhares se enfureceram. Arreganharam os dentes. Esqueceram- se do gato.
Eram seus próprios inimigos.
A briga começou.
Os mais fortes expulsaram os mais fracos a dentadas.
E, ato contínuo, começaram a brigar entre si.
Alguns ameaçaram a chamar o gato, alegando que só assim se restabeleceria a ordem.
O projeto de socialização do queijo foi aprovado nos seguintes termos:
"Qualquer pedaço de queijo poderá ser tomado dos seus proprietários para ser dado aos ratos magros, desde que este pedaço tenha sido abandonado pelo dono".
Mas como rato algum jamais abandonou um queijo, os ratos magros foram condenados a ficar esperando..
Os ratinhos magros, de dentro do buraco escuro, não podiam compreender o que havia acontecido. O mais inexplicável era a transformação que se operara no focinho dos ratos fortes, agora donos do queijo. Tinham todo o jeito do gato, o olhar malvado, os dentes à mostra.
Os ratos magros nem mais conseguiam perceber a diferença entre o gato de antes e os ratos de agora.

E compreenderam, então, que não havia diferença alguma.
Pois todo rato que fica dono do queijo vira gato. Não é por acidente que os nomes são tão parecidos.

Sunday, June 26, 2005

obrigação

Acho um saco escrever algo ou fazer qualquer outra coisa de que gosto obrigada (Jaqueline que não nos ouça, mas a cada tradução feita "a toque de caixa" pra cumprir prazo me faz morrer um pouco por dentro). Mas esta semana os "impression papers" saíram até fácil. Ajudou muito o texto de Sally Benson (The overcoat) e de Hemingway (In another country).
O primeiro é quase uma fábula; adoro textos em que o "fall" do protagonista vem em forma de epifania. Sou a rainha das epifanias. Acho super interessante alguém estar inconsciente de algo por um tempão e de repente se dar conta do real, em uma fração de segundos. Tudo se revela através de um pedaço de pano velho, ou de uma frase de efeito. É chocante.
Eita, passso mais de uma semana sem escrever aqui e quando venho fico falando de teria literária...duh...Ah, dê-me um desconto, esas podem ser as últimas palavras que escrevo sobre isso, já que estou me formando (eeeeeeh) e sem perspectivas na minha área a não ser aturar filhinhos de papai (com raras exceções) reclamando e pedindo pra eu falar em Português em sala e traduzindo toda e qualquer palavra que eu passo meia hora tentando explicar...
Ou vocês acham que eu vou mesmo virar escritora? Que a minha fada madrinha vai me estender o canudo rosa e PLIM! apareço de farda escura cheia de galões e ocupo uma cadeira na ABL? Ora pois, se nem Luis Fernando Veríssimo acredita que escritor é profissão, quem sou eu pra acreditar?...
Malu, no ano do Centenário de Érico Veríssimo (hoje mais conhecido como o pai do Luis Fernando Veríssimo), minha homenagem é pra você, que graças a localização privilegiada de seu nascimento, pôde fazer uma entrevista com o pai da Ana Terra e do Tibicuera, dentre outros. Oigalê, guria!


Sunday, May 15, 2005

under risk of misunderstanding...

DIVALDO PEREIRA FRANCO
O suicida do trem
"Passaram-se quase quinze anos e eu orando por ele diariamente,onde quer que estivesse"

"Eu nunca me esquecerei que um dia havia lido num jornal acerca de um suicídio terrível, que me impactou: um homem jogou-se sobre a linha férrea, sob os vagões da locomotiva e foi triturado. E o jornal, com todo o estardalhaço, contava a tragédia, dizendo que aquele era um pai de dez filhos, um operário modesto.
Aquilo me impressionou tanto que resolvi orar por esse homem.Tenho uma cadernetinha para anotar nomes de pessoas necessitadas. Eu vou orando por elas e, de vez em quando, digo: se este aqui já evoluiu, vou dar o seu lugar para outro; não posso fazer mais. Assim, coloquei-lhe o nome na minha caderneta de preces especiais - as preces que faço pela madrugada. Da minha janela eu vejo uma estrela e acompanho o seu ciclo; então, fico orando, olhando para ela, conversando. Somos muito amigos, já faz muitos anos. Ela é paciente, sempre aparece no mesmo lugar e desaparece no outro.
Comecei a orar por esse homem desconhecido. Fazia a minha prece, intercedia, dava uma de advogado, e dizia: Meu Jesus, quem se mata (como dizia minha mãe) "não está com o juízo no lugar". Vai ver que ele nem quis se matar; foram as circunstâncias. Orava e pedia, dedicando-lhe mais de cinco minutos (e eu tenho uma fila bem grande), mas esse era especial.
Passaram-se quase quinze anos e eu orando por ele diariamente, onde quer que estivesse.
Um dia, eu tive um problema que me fez sofrer muito. Nessa noite cheguei à janela para conversar com a minha estrela e não pude orar. Não estava em condições de interceder pelos outros. Encontrava-me com uma grande vontade de chorar; mas, sou muito difícil de fazê-lo por fora, aprendi a chorar por dentro. Fico aflito, experimento a dor, e as lágrimas não saem. (Eu tenho uma grande inveja de quem chora aquelas lágrimas enormes, volumosas, que não consigo verter).
Daí a pouco a emoção foi-me tomando e, quando me dei conta, chorava.
Nesse ínterim, entrou um Espírito e me perguntou:- Por que você está chorando?
- Ah! Meu irmão - respondi - hoje estou com muita vontade de chorar, porque sofro um problema grave e, como não tenho a quem me queixar, porquanto eu vivo para consolar os outros, não lhes posso contar os meus sofrimentos. Além do mais, não tenho esse direito; aprendi a não reclamar e não me estou queixando.
O Espírito retrucou:- Divaldo, e seu eu lhe pedir para que você não chore, o que é que você fará?
- Hoje nem me peça. Porque é o único dia que eu consegui fazê-lo. Deixe-me chorar!
- Não faça isto - pediu. - Se você chorar eu também chorarei muito.
- Mas por que você vai chorar? - perguntei-lhe.
- Porque eu gosto muito de você. Eu amo muito a você e amo por amor.
Como é natural, fiquei muito contente com o que ele me dizia.
- Você me inspira muita ternura - prosseguiu - e o amo por gratidão. Há muitos anos eu me joguei embaixo das rodas de um trem. E não há como definir a sensação da eterna tragédia. Eu ouvia o trem apitar, via-o crescer ao meu encontro e sentia-lhe as rodas me triturando, sem terminar nunca e sem nunca morrer. Quando acabava de passar, quando eu ia respirar, escutava o apito e começava tudo outra vez, eternamente. Até que um dia escutei alguém chamar pelo meu nome. Fê-lo com tanto amor, que aquilo me aliviou por um segundo, pois o sofrimento logo voltou. Mais tarde, novamente, ouvi alguém chamar por mim. Passei a ter interregnos em que alguém me chamava, eu conseguia respirar, para agüentar aquele morrer que nunca morria e não sei lhe dizer o tempo que passou. Transcorreu muito tempo mesmo, até o momento em que deixei de ouvir o apito do trem, para escutar a pessoa que me chamava. Dei-me conta, então, que a morte não me matara e que alguém pedia a Deus por mim. Lembrei-me de Deus, de minha mãe, que já havia morrido. Comecei a refletir que eu não tinha o direito de ter feito aquilo, passei a ouvir alguém dizendo: "Ele não fez por mal. Ele não quis matar-se." Até que um dia esta força foi tão grande que me atraiu; aí eu vi você nesta janela, chamando por mim.
- Eu perguntei - continuou o Espírito - quem é? Quem está pedindo a Deus por mim, com tanto carinho, com tanta misericórdia? Mamãe surgiu e esclareceu-me:
- É uma alma que ora pelos desgraçados.
- Comovi-me, chorei muito e a partir daí passei a vir aqui, sempre que você me chamava pelo nome.
(Note que eu nunca o vira, face às diferenças vibratórias.)
- Quando adquiri a consciência total - prosseguiu ele - já se haviam passado mais de catorze anos. Lembrei-me de minha família e fui à minha casa. Encontrei a esposa blasfemando, injuriando-me: "- Aquele desgraçado desertou, reduzindo-nos à mais terrível miséria. A minha filha é hoje uma perdida, porque não teve comida e nem paz e foi-se vender para tê-los. Meu filho é um bandido, porque teve um pai egoísta, que se matou para não enfrentar a responsabilidade.
Deixando-nos, ele nos reduziu a esse estado."
- Senti-lhe o ódio terrível. Depois, fui atraído à minha filha, num destes lugares miseráveis, onde ela estava exposta como mercadoria. Fui visitar meu filho na cadeia.
- Divaldo - falou-me emocionado - aí eu comecei a somar às "dores físicas" a dor moral, dos danos que o meu suicídio trouxe. Porque o suicida não responde só pelo gesto, pelo ato da autodestruição, mas, também, por toda uma onda de efeitos que decorrem do seu ato insensato, sendo tudo isto lançado a seu débito na lei de responsabilidades. Além de você, mais ninguém orava, ninguém tinha dó de mim, só você, um estranho. Então hoje, que você está sofrendo, eu lhe venho pedir: em nome de todos nós, os infelizes, não sofra! Porque se você entristecer, o que será de nós, os que somos permanentemente tristes? Se você agora chora, que será de nós, que estamos aprendendo a sorrir com a sua alegria? Você não tem o direito de sofrer, pelo menos por nós, e por amor a nós, não sofra mais.
Aproximou-se, me deu um abraço, encostou a cabeça no meu ombro e chorou demoradamente. Doridamente, ele chorou.
Igualmente emocionado, falei-lhe:
- Perdoe-me, mas eu não esperava comovê-lo.
- São lágrimas de felicidade. Pela primeira vez, eu sou feliz, porque agora eu me posso reabilitar. Estou aprendendo a consolar alguém. E a primeira pessoa a quem eu consolo é você."
(Transcrito do livro "O Semeador de Estrelas", de Suely Caldas Schubert, Alvorada)

Desculpe por este post imenso, mas esta história me comoveu. Não só pelo suicídio em si, mas pelo desprendimento com que Divaldo Franco pede pelas pessoas...me lembra que todos nós sempre podemos fazer algo por alguém...nem que seja rezar...parece pouco mas, para este espírito, foi a diferença entre a "não-morte" e a salvação...

Friday, May 13, 2005

Sessão dor de cor...tovelo (mal, muy mal)

Olha só uma sequência de músicas da tarde de ontem (12/05) da Radio Cidade FM:
--Amigo é pra essas coisas
--Travessia
--Georgia on my mind
--Tudo bem
Me dei ao trabalho de colocar os links pras letras, pra vocês verem: com exceção de Ray Charles (uai, saudade sempre é depressiva), todas elas falam de tristezas infinitas, mas no final acabam te deixando uma idéia de que tudo vai melhorar.
Ao contrário de muitas (só de exemplo cito Água) que, aparentemente "pra cima", me deixam com uma puta ressaca moral.
Ah, liga não, vai. Essa semana fiquei doida com Hemmingway, e minha professora tá internada quase repetindo a história de Harry. Por isso acabei "sem querer querendo" reparando nessas coisas. Deixa pra lá.
Semana que vem vocês que se cuidem, pois estou atolada com Psicologia agora...*risada maligna*

Wednesday, March 16, 2005

Inspira-te

USANDO O LADO OPOSTO

"Deus costuma usar a solidão para nos
ensinar sobre a convivência.
Às vezes, usa a raiva, para que possamos
compreender o infinito valor da paz.

Outras vezes usa o tédio, quando quer nos mostrar
a importância da aventura e do abandono.
Deus costuma usar o silêncio para nos ensinar
sobre a responsabilidade do que dizemos.

Às vezes usa o cansaço, para que possamos
compreender o valor do despertar.
Outras vezes usa doença, quando quer nos mostrar
a importância da saúde.

Deus costuma usar o fogo para nos
ensinar sobre água.
Às vezes, usa a terra, para que possamos
compreender o valor do ar.
Outras vezes usa a morte, quando quer nos mostrar
a importância da vida".

FERNANDO PESSOA

Saturday, February 26, 2005

Poeminha, pra relaxar

Fogueira

"Ei, você
que se esconde atrás de uma máscara
Que se diz honesta e verdadeira
Ei, você que brinca com fogo
que mexe com sentimento dos outros
Vê se cresce! A mente é o que importa
Importa é o que você sente.

Ei, você
arroz de festa, estilo “Big Brother”
Seu veículo, o “browser”, veloz amigo
Assim como seu castigo
Ei, você, gata de fábrica, rata de rede
Meu passado me condena?
Teu vício te condena.

Ei, você
ídolos de pedra caem
ídolos de pano caem, ídolos, todos, caem
Sua cabeça seu guia, seu norte o coração
Ei, você, frases feitas, clichês
vida vazia, sem pecado e sem perdão
Pode me ignorar, mas se não enfrentar
Não vai me esquecer."

Bianca Miglioli

Thursday, February 03, 2005

Hear, hear!!

"Fizeram a gente acreditar que amor mesmo, amor
pra valer, só acontece uma
vez, geralmente antes dos 30 anos. Não contaram
para nós que amor não é
acionado, nem chega com hora marcada.

Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é
a metade de uma laranja, e
que a vida só ganha sentido quando
encontramos a outra metade. Não
contaram que já nascemos inteiros, que
ninguém em nossa vida merece
carregar nas costas a responsabilidade de
completar o que nos falta: a
gente cresce através da gente mesmo. Se
estivermos em boa companhia, é só
mais agradável.

Fizeram a gente acreditar numa fórmula chamada
"dois em um": duas pessoas
pensando igual, agindo igual, que era isso
que funcionava. Não nos
contaram que isso tem nome: anulação. Que
só sendo indivíduos com
personalidade própria é que poderemos ter uma
relação saudável.

Fizeram a gente acreditar que casamento é
obrigatório e que desejos fora de
hora devem ser reprimidos.

Fizeram a gente acreditar que os bonitos e
magros são mais amados, que os
que transam pouco são caretas, que os que
transam muito não são confiáveis
e que sempre haverá um chinelo velho para um pé
torto. Só não disseram que
existe muito mais cabeça torta do que pé torto.

Fizeram a gente acreditar que só há uma fórmula
de ser feliz, a mesma para
todos, e os que escapam dela estão condenados
à marginalidade. Não nos
contaram que estas fórmulas dão errado,
frustram as pessoas, são
alienantes, e que podemos tentar outras
alternativas.

Ah, também não contaram que ninguém vai contar
isso tudo pra gente. Cada
um vai ter que descobrir sozinho. E aí,
quando você estiver muito
apaixonado por você mesmo, vai poder ser
muito feliz e se apaixonar por
alguém".

(John Lennon)

Sunday, December 26, 2004

Estou no Rio!!!!!!

RECEITA DE ANO NOVO
Carlos Drummond de Andrade

"Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua
paz,
Ano Novo sem comparação com todo o
tempo já vivido
(mal vivido talvez ou sem sentido)
para você ganhar um ano
não apenas pintado de novo, remendado
às carreiras,
mas novo nas sementinhas do
vir-a-ser,
novo até no coração das coisas menos
percebidas
(a começar pelo seu interior)
novo espontâneo, que de tão perfeito
nem se nota,
mas com ele se come, se passeia,
se ama, se compreende, se trabalha,
você não precisa beber champanha ou
qualquer outra birita,
não precisa expedir nem receber
mensagens
(planta recebe mensagens? passa
telegrama?).
Não precisa chorar de arrependido
pelas besteiras consumadas
nem parvamente acreditar
que por decreto da esperança
a partir de janeiro as coisas mudem
e seja tudo claridade, recompensa,
justiça entre os homens e as nações,
liberdade com cheiro e gosto de pão
matinal,
direitos respeitados, começando
pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano novo
que mereça este nome,
você, meu caro, tem de merecê-lo,
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é
fácil,
mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
cochila e espera desde sempre."


Natal, Nova Iguaçu, Niterói, São Gonçalo...Onde eu estive e estiver, é onde meu coração está e estará. A todos que importam, no mais puro sentimento cristão (que deveria reinar...pelo menos nessa época), declaro: EU AMO VOCÊS!!!
Não preciso citar nomes. Quem importa sabe. E saberá.